IAG: o desnorte da estratégia espanhola?


Espanha é, também na aviação comercial, um dos centros do turbilhão da crise económica, sucedendo-os cortes, os despedimentos, os aumentos de taxas e a redução da oferta disponível no mercado.

A poderosa IAG - International Airlines Group, holding saída da recente fusão entre a britânica British Airways e a castelhana Iberia, tem tentado pôr ordem na crise prolongada da sua divisão espanhola, a braços com uma profunda e duradoura crise, bem conhecida pelas sucessivas greves que tantas vezes afetam a operacionalidade da maior companhia de Espanha (aliás, note-se, a próxima deverá ocorrer já daqui a alguns dias e durará 6 dias).

A transportadora espanhola perde uns espectaculares 1,7 Milhões de Euros por cada dia e a IAG prepara-se para os piores cenários:  a economia espanhola está em profunda recessão e o desemprego interno, queda do poder de compra e investimento são galopantes não sendo o mercado do longo curso, ao contrário do que felizmente vai acontecendo com a Portuguesa TAP, suficiente para salvar a Iberia.

Na emergência, surge um plano que passará, agora e aparentemente, por uma aproximação da operação espanhola ao modelo low cost. Depois de ter apostado na marca Iberia como produto de excelência e apenas um ano depois de ter criado a contestada e comercialmente praticamente falhada low cost Iberia Express, a IAG volta-se agora para uma operação de aquisição de 54% do capital da transportadora de baixo custo Vueling (da qual detém já 46% das ações), numa operação que lhe sairá francamente mais cara do que se o tivesse feito há um ano quando optou pela criação da Iberia Express.

Com efeito, a Vueling é já a segunda maior companhia aérea espanhola, tendo sabido responder ao impacto da elevadíssima concorrência no mercado espanhol (onde easyjet e Ryanair são dois grandes "players"), voltando-se cada vez mais para o mercado dos negócios, tradicionalmente mais apostado na qualidade e, ao mesmo tempo, potenciador de um maior yield de rentabilidade e maior estabilidade financeira por via da redução da sazonalidade das operações (este, por exemplo, um dos grandes problemas da Ryanair).

Há, aparentemente uma atmosfera de desnorte na gestão da Iberia por parte da IAG: com o despedimento de 4500 pessoas, o horizonte de paralisações e disparo de prejuízos parece uma certeza na Iberia, companhia que, não propriamente conhecida pela sua qualidade (daí o recente plano da empresa para, por exemplo, mudar os níveis de conforto em todas as suas classes), certamente continuará a perder a fidelidade de muitos clientes. Por outro lado, a IAG propõe-se agora comprar a Vueling, mais ágil e menos custosa em face da sua estrutura, para servir de transportadora potenciadora do negócio longo curso da Iberia, à medida que, previsivelmente, se reduzirá fortemente a operação de pequeno e médio curso (corte de 25 aviões na frota, sendo 20 de pequeno e médio curso) da companhia em apuros. Contudo, era esse o objetivo da própria Iberia Express quando foi criada há um ano atrás.

Se o gigante Iberia cair, o estrondo será grande e com pesados efeitos em todo o setor. E a verdade é que já começa a tropeçar demasiado...


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