TAP: que futuro com a Avianca de Efromovich?


Conhecido o empresário brasileiro/colombiano German Efromovich como único candidato à privatização da TAP e daí resultando a altíssima probabilidade de a transportadora (ainda) estatal portuguesa vir a ser inserida no universo da colombiana Avianca, há já quem (jocosamente, é certo) avance que, ao invés de Amália, a música ambiente das aeronaves da TAP será, muito provavelmente, Shakira. E, polémicas políticas sobre a justeza da privatização à parte, cumprirá, porventura, perceber qual poderá ser o futuro da TAP no universo latino-americano da Avianca.

O empresário em causa é, conforme sabido, dono do Synergy Group, uma holding multiempresarial com sede jurídica no Rio de Janeiro e que váreas áreas de negócio como telecomunicações, exploração de petróleo e gás natural ou indústria de armamento e defesa militar. No entanto, é o setor da Aviação Comercial do grupo que tem atraído as atenções, detendo o grupo companhias como a colombiana Avianca (dona da Avianca Brasil, Avianca Equador e transportadora pan-centroamericana TACA, que recentemente aderiu à Star Alliance).

Recorde-se que um dos objetivos declarados e formais desta operação de privatização passa pela manutenção da "portugalidade" da TAP. E, neste campo, não havendo seguramente quaisquer soluções perfeitas, sempre se poderá dizer que esta é, das soluções que se anunciavam como possíveis, das que apresenta mais potencialidades dentro do quadro estratégico que a companhia vinha desenvolvendo, nos últimos anos, com a aposta no Brasil. Das potenciais interessadas na compra da TAP, o consórcio IAG, da British Airways e da espanhola Ibéria, foi o que mais anticorpos (compreensivelmente, aliás) suscitou na opinião pública, em face não apenas da "temida" Iberia mas, também, da completa marginalidade que a TAP arriscaria porquanto não detentora de qualquer vantagem comparativa: residindo o seu grande valor no setor do Brasil, que daria a TAP à Oneworld que contará, quase de certeza, com a poderosa LATAM? Daí que a TAP, como defendemos, assumiria uma maior relevância para a Lufthansa em face do desaparecimento da TAM da aliança Star Alliance. Contudo, apostada na sua reorganização interna, a gigante germânica "saltou fora" da corrida. Inexistindo árabes da Qatar ou da Etihad confirmados, a TAP fica, assim, entregue, tudo indica, aos desígnios de Efromovich.

Contudo, em termos estratégicos, o Synergy Group poderá operar uma saudável junção de sinergias dado que os projetos de um lado e do outro do Atlântico parecem ser conciliáveis.



Conforme resulta deste mapa (da autoria da consultora CAPA), o grupo Avianca assegura uma não negligenciável malha de destinos em toda a América Latina. E tudo parece, de algum modo, encaixar bem: a TAP pretende continuar a crescer no Brasil, a sua grand evantagem na Europa, sendo que para tanto necessita de tráfego feeder que lhe permita expandir a sua base de clientes, o que vem sendo assegurado pela TAM. Mas esta, agora parte da LATAM, certamente que alinhará, em breve e ao invés, com a Oneworld da Iberia.

Por outro lado, a Avianca Brasil está em franco crescimento no mercado doméstico brasileiro e há muito que acalenta o desejo de iniciar os voos de longo curso para dar maior sustentabilidade à sua rede interna. Isso será possível com a TAP sendo que não serão de descurar, como bem nota o CAPA, o início de ligações pela TAP de Lisboa para Bogotá e Lima (outros hubs da Avianca_TACA), dada a sua expectável renovada capacidade financeira para adquirir as tão ambicionadas e há muito desejadas  aeronaves de longo curso para juntar às já existentes. Note-se, por exemploe  a título de curiosidade, que o Synergy Group de Efromovich encomendou, como a TAP, aeronaves A350 à Airbus cujo destino não está ainda escolhido. Seria,assim,possível que a Synergy aproveitasse para expandir o número de novos aviões A350 afetos à frota de longo curso da TAP.

Mas não é só neste campo que existem fortes e prováveis sinergias que tornam esta aquisição não apenas viável como muito possível: quer a TAP quer as companhias do grupo Avianca operam aeronaves Airbus (essencialmente, A320 e A330), sendo possível, no quadro de uma então tão grand efrota de aeronaves, assumir uma posição negocial bastante reforçada junto da construtora europeia e, assim, potenciar a redução de custos de aquisição e manutenção de aeronaves.

Mas existem espaços cinzentos a restas que deverão estar a ser limidas: por exemplo, que futuro para as operações do Porto por exemplo? É duvidoso que a Avianca veja grand einteresse, neste quadro, em manter as operações do Porto ao estilo e nível que a transportadora pública portuguesa detém atualmente...

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