a crise europeia na aviação


O recém anunciado fecho da base easyjet de Madrid é, apenas, a última evidência no setor da aviação comercial da crise que atravessa o continente europeu -sobretudo o sul - a braços com a crise de dívida soberana, escassez de crédito e, concomitantemente, de investimento. A juntar à queda da procura, a instabilidade social marcada por sucessivas greves em todo o continente vêm tornando operações outrora de sucessos em difíceis explorações comerciais.

O Eurocontrol, entidade responsável pela gestão dos espaço aéreo europeu representativo de 40% do tráfego mundial de passageiros e carga, deu a conhecer uma redução de 3,3% no total de voos nos céus europeus no primeiro trimestre de 2012 por comparação ao período homólogo de 2011. Por área de negócio, as low cost tiveram uma redução de 4,3% face à redução de 3,1% das tradicionais.

O ACI Europe, organismo de junção de todas as gestoras de aeroportos da Europa, nota, por seu turno, uma redução de 4.1% no transporte de carga.

Mas as reduções em causa são, sobretudo, consequência das fortes alterações de tráfego no sul da Europa em face do arrefecimento das economias.

Depois do Aeroporto de Atenas ter perdido 6,5% dos passageiros no ano de 2011, a taxa de queda em 2012 foi, no primeiro trimestre, de 11% face ao já de si pouco simpático período homólogo do ano passado. Os sinais são variadíssimos: a outrora pujante companhia estatal grega, que chegou a ter voos por todo o mundo, deixou já de voar para a Europa, a Cyprus Airways cancelou as suas ligações a Londres Heathrow de Atenas, a Delta Airlines cancela nos próximos dias a sua ligação a Nova Iorque JFK, a Aegean Airlines reduzirá cerca de 12 rotas europeias, a Singapore Airlines anunciou já o seu cancelamento das operações na capital grega, a KLM reduzirá 50% da oferta na rota Amesterdão-Atenas e a Lufthansa tomará idêntica decisão na sua rota de Munique e até a TAP suspenderá brevemente e sine die a sua rota para a capital helénica

A Brussels Airlines, por exemplo, não apenas desaparecerá de Atenas já a partir de Outubro como cancelará também as suas ligações de Bruxelas para o Porto (como aqui avançámos), Faro, Sevilha, Catania, Florença e Nápoles - todos destinos do sul da Europa.

A United Airlines cancelou também toda a sua operação de Nova Iorque (Newark) para Atenas e reduziu os seus 11 voos semanais da rota Nova Iorque (Newark) para Madrid em B767, aeronave com capacidade para 300 passageiros), para apenas 7 voos semanais em 757 (200 passageiros). Aliás, a capital espanhola enfrenta sérios desafios: o desaparecimento da spanair, da base da easyjet, o cancelamento de rotas da Iberia (Glasgow e Manchester, por exemplo), redução de operações da Air Nostrum (entre outras, da rota para o Porto) e a redução das operações de longo curso (das últimas conhecidas, a da Avianca de Cali, Colômbia, para Barajas).

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